quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Poema "Pratodosempre", de Roberta Minarini

Pratodosempre

Amar é dizer
que acima de tudo
eu quero você.

Amar com definição
de dentro do coração.

Foi só você aparecer
para eu ver que é
para sempre você.

Não importa o que dizem,
eu amo você.

Eu nasci para você,
você nasceu para mim.
Vai ser para sempre assim.

Te amar,
te querer,
para nunca te esquecer.

Poema "Convivendo em paz", de Júlia Rezende

Convivendo em paz


Mais um dia se inicia em harmonia,
no amanhecer,

com a alegria intensa de uma ave
voando pelo céu limpo,
acordando pessoas felizes.


O calor abafando o solo úmido
de uma noite serena.
O vento seco, vagando para lugar nenhum,
refrescando as almas pecadoras.


Há uma pessoa sobre a rocha fria,
saboreando cada detalhe de paz e
tranquilidade, do pôr-do-sol.
Ele se despede do mundo, sorridente.


O clima frio da noite chega.
A grande bola branca aveludada
aparece no espaço vazio que,
aos poucos, vai vagando.


O tempo para na madrugada.
Sinônimo que nos traz o silêncio
digno de harmonia,
pela sorridente lua cheia,
refletida entre as nuvens negras.
Que vagando por lá, no alto,
nos traz luz,
e seus dentes transmitem paz.



Além das montanhas altas
o sol vai acordando,
de um sono pesado e puro.
Onde ele recompôs teus raios brandos
e lúcidos para clarear e aquecer
a terra dos homens.


No céu fosco,
o sol iluminando: dos montes
aos centros,
acordando os pássaros,
para ouvir seus cantos sonoros.
Acordando pessoas,

para um novo dia sem guerra.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Dica de leitura


Descanse em Paz?

Em uma de suas cartas, o romancista Gustave Flaubert escreveu: "Que grande necrópole é o coração humano! Para que irmos aos cemitérios? Basta abrirmos as nossas recordações; quantos túmulos!".

"Não temos tempo!" Houve uma época na história humana (e não faz muito tempo) na qual, quando um dos nossos morria, parávamos tudo o que estivéssemos fazendo; o trabalho, ou o que mais fosse, era interrompido, e, se preciso, faziam-se longas viagens, até noturnas (sem os rápidos aviões, carros e boas estradas), mas não deixávamos de, velando os partintes, cuidar dos ficantes.

A humanidade houvera compreendido que, se com a morte não nos conformamos, ao menos nos confortamos, nos fortalecemos em conjunto, nos apoiamos. As pessoas ficavam às vezes por um dia e uma noite, em volta da família, aglomerados, grudados, exalando solidariedade e emoção, orando e purgando lentamente o impacto, mostrando aos mais próximos que não estavam sozinhos na perda.

É sinal de humanidade não se conformar com a morte e, portanto, buscar vencer simbolicamente o que parece ser invencível. A própria palavra cemitério (derivada do grego), usada em vários idiomas, significa lugar para dormir, dormitório, lugar para descansar.

Deixamos de velar (no sentido de tomar conta, cuidar!) para velar (como cobrir, ocultar, esquecer, apagar).

Não temos mais tempo! Se recebemos a notícia de que algum conhecido faleceu, olhamos o relógio e pensamos: "vou ver se dou uma passadinha lá...."; alguém morre às 10 horas da manhã e, se der, será enterrado até as cinco da tarde, de maneira a, em nome do "não sofrermos muito", sermos mais práticos e rápidos. Nem as crianças (já um pouco crescidas) são levadas a velórios; muitos argumentam que é para poupá-las da dor. Isso não pode valer, parte delas cresce sem a noção mais próxima de perda e, despreparadas e insensibilizadas para enfrentar algumas situações nas quais a nossa humanidade desponta, simultaneamente, fraca e forte, perdem força vital.

Por isso, não será estranho se, em breve, tivermos que nos acostumar também com o velório virtual ou, principalmente, como já está começando em países mais "avançados", o velório "drive-thru": entra-se com o carro, coloca-se a mão sobre o corpo do falecido (enquanto o sensor lê tuas digitais para enviar um agradecimento formal), aperta-se um botão com a oração que se deseja fazer e...pronto, já vai tarde. Parece ridículo? Se não prestarmos atenção, assim será.

Vale o alerta de Gilberto Cesbron: "E se fosse isso perder a vida: fazermos a nós próprios as perguntas essenciais um pouco tarde demais?"


Resumo do texto "Descanse em Paz?", do Livro "Não Nascemos Prontos", do filósofo prof. Mário Sérgio Cortella (ed. Vozes).

Sobre o Autor

Mário Sérgio Cortella: Mário Sérgio Cortella, filósofo, com Mestrado e Doutorado em Educação pela PUC-SP, na qual é professor-titular. Foi Chefe-de-Gabinete do Prof. Paulo Freire na Secretaria Municipal de Educação de São Paulo e atua como comentarista, debatedor e âncora em programas de TV e Rádio, além de apresentar o programa "Diálogos impertinentes".